sábado, março 31, 2007

Hoje, ontem, e o dia antes de ontem.




por Wagner Artur


Hoje eu acordei por volta das onze horas da manhã. Olhei ao meu redor, enquanto esfregava o rosto. Meu celular não estava lá. Diabos. Do lado dele deveria estar o telefone sem fio daqui de casa. Também não estava lá. Putz. Eu deixei os dois lá antes de dormir, tarde da madrugada, pois esperava uma ligação logo cedo, na madrugada das oito da manhã, de um amigo que viria assistir uns filmes aqui em casa. Cowboy Bebop, e outros. Waking Life, talvez. Tem aquela citação do início do filme de Cowboy Bebop: "He was just all alone. He couldn't enjoy a game with anyone else. Like living in a dream... That's the kind of man he was...".

Ontem eu acordei umas seis e meia da manhã. Olhei ao meu redor. De um lado um amigo estava acordando na cama ao lado sintonizando em sua própria rádio mental como um radialista chamando a sociedade pra viver seu dia. Costume dele, ele sempre foi assim, alegre, ao menos era a aparência, Deus sabe como essas coisas podem distanciar pra caramba da realidade. Do outro lado, o nosso colega de quarto se virava em sua cama, talvez se debatendo procurando alguma forma de esquecer que o dia longo começava. Nós nos levantamos lentamente, tomamos o café da manhã e subimos correndo pra vestir nossos trajes de guerra. Outro amigo, no quarto do outro lado do corredor, em reclamar da minha gravata, bem típico dele. Ele me empresa uma azul, mais apropriada, e me explica a riqueza dos nós de gravata. Eu obviamente me perdia absorto com minhas inseguranças sobre meu estudo, desempenho, e minha capacidade. Todo mundo na correria, o show ia começar, e eu, com pasta crachá e tudo, corria com o pessoal pensando como o dia começou silencioso.

(...)

No dia antes de ontem eu saia de casa um pouco assustado, um pouco ansioso, pra faculdade. Usava minha camisa uniforme-de-calouro (aprovado 2001), sob o pretexto de "não vai ter problemas se estragar no trote". O mês era outubro, não costuma chover. Andava bem quente. Eu entrei na sala, cheia de gente sem nome, que eu nunca tinha visto na vida. Vi um cidadão com o caderno em cima da carteira, olha só, insígnia dos Presas de Prata. Se você não sabe o que é, vai continuar sem saber. O importante é que eu sabia, e isso já me deixou mais perto de casa. Não lembro bem qual foi a aula. Lembro porém, de sair na hora do intervalo, passar o corredor H, indo em direção ao G. Em frente ao G havia uma banquinha, com alguém - cuja fisionomia não lembro - com uma lista com o nome de um monte de gente e outro monte de países. Eu perguntei o que
era. "É a SOI, um evento aqui do curso. Quer se inscrever como delegado?" "Quanto custa?" "Dez reais" "Sei... mais tarde eu passo, tou sem dupla" "Tá bem". Muitos pensamentos de admirável mundo novo. Fazem parte de ontem, de hoje, e do amanhã.

Amanhã foi um dia bom. Depois do almoço eu fui pro estágio, tomei fabuloso capuccino da dona Maria, e enfiei minha cara em dois processos. Fiquei a té um pouco depois do horário, como geralmente fico, e depois fui de ônibus pra casa. Senti a falta de não ter levado livro nenhum pra ler no caminho. Fiquei pensando no mestrado, na graduação, no tempo como um todo. Como é bom rever velhas esperanças.

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1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

calvin certamente deveria!

e não vou saber mesmo o que é presas de não seiquêlá... já me contendo em saber alguma coisinha ou outra do cotidiano de amigos roubados do meu convívio pelo mesmo tal cotidiano. ^^

11:03 PM  

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